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sábado, 16 de janeiro de 2016

Muito Além... Da Vida [Como os Artistas Encaram o Que Acredita-se ser o Fim - A Morte]

E depois de meses de ociosidade, finalmente voltamos com nossa série em que tentamos desbravar indicar as curiosidades presentes no universo musical. Hoje, depois de tantas figuras criativas e plenamente produtivas que nos deixaram - Scott Weiland, Lemmy Kilmister, Natalie Cole e, mais recentemente, David Bowie - enveredamos pela temática da morte na produção musical de ontem, de hoje e de sempre. Assim sendo, apertem os cintos, navegantes da boa viagem, que nossa viagem promete papo curto e boa música! Nós, do Muito Além das Aspas, com muito pesar e respeito, vos apresentamos nosso Muito Além... Da Vida!




Lembro-me como se fosse ontem: eram os idos de 1900-&-Guaraná-de-rolha; eu brincava com os meus amigos de lançamento de disco, o que na prática consistia em imitar a modalidade olímpica de mesmo nome usando os LP’s dos meus vizinhos como instrumento. Isso mesmo! Era provavelmente o período de transição do Vinil para o CD e, seguindo as previsões apocalípticas que previam o que pensava-se na época ser o fim do disco, meus vizinhos, que podiam contar com esse luxo – lá em casa o K7 sempre imperou, motivo pelo qual compartilho da opinião do vocalista do Sonic Youth sobre nossa atual paranoia saudosista no endeusamento do Vinil, que pretendo abordar numa outra ocasião – aproveitaram para se desfazer dos poucos que ainda tinham.

E foi nesse caótico cenário de transição que a ouvi pela primeira vez...





Um desses moradores, talvez pra se despedir uma última vez do seu velho disco, colocou na vitrola o seu provável som favorito: o disco A Kind Of Magic do grupo de rock Queen. E (pá!) lá estava ela; a música que, logo assim que ouvi, fiquei hipnotizado: Who Wants To Live Forever. Na época eu não sabia, mas, mesmo sem querer, e sem entender um A de Inglês, aquele foi o primeiro dos meus muitos contatos com a temática da morte numa canção. 

Posteriormente, essa música específica, agora como trilha sonora, voltou a fazer parte do meu cotidiano. Ainda me lembro de Sean Connery e Christopher Lambert em Highlander usando e abusando da temática da jornada do herói num dos filmes que mais marcaram minha infância, muito embora, provavelmente pelo choque de gerações, eu só fosse realmente me identificar mais com o tema (imortalidade) anos depois com a faixa Live Forever da banda britânica Oasis (no álbum Definitive Maybe, que consegui de uma forma surpreendente que pretendo relatar num futuro não tão distante).



De My Chemical Romance e seu Welcome To The Black Parade; de Joy Division e a sua The Eternal; do NX Zero e a sua Cedo Ou Tarde... Rsrsrs Mil perdões, não consegui manter a seriedade depois dessa! Mas, voltando ao raciocínio: o tema morte acompanha, não só a música, mas a arte pop em geral, desde tempos imemoriáveis e cujas origens, para não me alongar muito, remetem à 2ª Geração do Romantismo literário (identificada como Mal-Do-Século, por todos os autores morrerem ainda jovens), que trouxe de volta à tona a dramaticidade, transformando temas polêmicos, como o suicídio por exemplo, em clímax artístico das artes.

Mais recentemente, o exemplo mais ilustrativo que tivemos foi a derrota para o câncer do gênio David Bowie. Artista esse que, como mencionado no post anterior, soube usar como ninguém a autoimagem na construção e desconstrução de todas as suas personas artísticas. Em seu álbum Blackstar, lançado dias antes da anunciação de sua morte, o artista soube como poucos transformar a iminência do seu falecimento em música – como na faixa Dollar Days e seu perturbador refrão "Estou morrendo... Estou tentando... Estou morrendo... Estou tentando...", ou, mais explicitamente, no clipe da faixa Lazarus, onde vemos um Bowie acamado dizendo, logo na primeira estrofe, estar no Céu.

Outro músico, coincidentemente fã de Bowie, e que também usou suas últimas aparições em público como contemplação de sua obra, foi o eterno líder do Nirvana e, para muitos, personificação do movimento Grunge, Kurt Cobain. É indescritível ver a interpretação da canção The Man Who Sold The World (de David Bowie) e não se chocar com o tom fúnebre que o espetáculo, para muitos um dos projetos Mtv Unplugged mais memoráveis já feitos, ganhou ao se tomar conhecimento do fim trágico que Cobain reservou para si.



Não que o tema seja tão fora do comum na música – compositores clássicos como Mozart e Frédéric Chopin já compunham temas fúnebres que demarcaram a estética inicial dessas cerimônias em todo o mundo ocidental –, mas, muito em parte devido ao monopólio da religião na produção musical no período conhecido como clássico, tais composições sempre foram tratadas como temáticas, para ocasiões específicas da vida pública. Muito provavelmente, esses compositores da época se surpreenderiam com músicas como De Encontro Com A Morte, do grupo de rap Facção Central. Sendo assim, a verdadeira virada ocorreu quando o lírico conseguiu chegar aonde a melodia já tinha permissão pra chegar. 

Fora da estética pop, o Metal também soube reservar muito do seu contraste entre peso e leveza na temática fúnebre. Alice Cooper (I Love The Dead), Iron Maiden (Dance Of Death), Black Sabbath (When Death Calls e Electric Funeral), Led Zeppelin (In My Time Of Dying), Metallica (Fade To Black), Scorpions (Under The Same Sun), dentre tantos outros povoam nosso imaginário quando se trata do além vida, mesmo muitas dessas abordando o tema com toda a irreverência característica do rock.

Na cultura popular brasileira não ficamos muito atrás. Talvez pela tradição católica do Dia de Finados, nossas músicas sempre contaram com uma liberdade maior para tratar do pós vida. Com isso, Legião Urbana (em Dezesseis e Vento no Litoral) e Titãs (Epitáfio e Flores), embora tenham oxigenado a música popular brasileira, já transitavam em campo já bem explorado por Nelson Gonçalves, Baden Powell e companhia.

É atribuída ao filósofo Ferreira Gullar a feliz colocação: “A arte existe porque a vida não basta”. De fato, o mundo seria sem graça não fosse a arte, e, nos momentos em que ela parece perder o rumo, é nela que encontramos conforto – direta ou indiretamente. Momentos de luto geralmente tornam-se mais brandos quando extravasamos nossas frustrações com a música, por exemplo. Talvez por isso, o luto por um artista cause tanta comoção em massa. Mas, abusando sem medo dos clichês, esses artistas mesmo na morte conseguem viver em nossas lembranças através do legado do seu trabalho. Afinal, se são todas as almas imortais, a alma e o corpo do artista também o são na memória do seu público. 




                                        

E é isso ai! Se você gostou, não deixe de curtir e compartilhar com seus amigos!!! Comentem a vontade também, até a próxima pessoal!
 


Fontes: Youtube, e pesquisa em sites de busca, mais texto de produção pessoal[Raul]
Imagens: http://homerolinhares.blogspot.com.br/2010/12/simbolismo-musica-e-morte.html

3 comentários:

  1. Amei o post, sacanagem com Nx Zero hein? hahaha enfim, parabéns pelo texto muito bem escrito, estou seguindo pra acompanhar de mais perto =) Bjos

    critiquemais.blogspot.com.br
    estranhanoparaiso.com.br

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  2. Adorei o post, super bem escrito e o assunto é super interessante!
    Beijos!

    historiasdeumamenteinquieta.blogspot.com

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  3. Oi, tudo bem? Adorei o post, achei o assunto muito interessante.

    http://mysecretworldbells.blogspot.com.br/

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