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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Muito Além... Do Show [O que há de Teatro na Música]

“O artista é o criador de coisas belas. Revelar a arte e ocultar o artista é o objetivo da Arte” – assim já dizia Oscar Wilde. O Muito Além das Aspas vai além da teatralidade e da interpretação cênica na música para explorar essa verdadeira história social, sem perder o foco no que verdadeiramente move a expressão artística: a diversão.


Como algo que transcende a esfera rock, muitos são os artistas, do hoje autointitulado pop, que bebem da fonte desse legado deixado por tais pioneiros. Contudo, como isso se deu? Qual foi a evolução cultural que culminou na excentricidade de uma Lady Gaga, ao ponto da obra se confundir com o artista? O que foi preciso ocorrer para que um Slipknot ou Marilyn Manson se tornassem verdadeiras marcas capazes de atrair um sem número de fãs de Metal ao redor do mundo? O Muito Além das Aspas vai além da teatralidade e da interpretação cênica na música para explorar essa verdadeira história social, sem perder o foco no que verdadeiramente move a expressão artística: a diversão.




“O artista é o criador de coisas belas. Revelar a arte e ocultar o artista é o objetivo da Arte” – assim já dizia Oscar Wilde no prefácio de seu único romance, O Retrato de Dorian Gray, livro que muito me marcou e a inúmeros artistas das mais variadas cenas. Porém, como nosso foco aqui é a música, e não somente por isso, vale salientar que esse verdadeiro preceito da sobreposição da arte sob o artista sempre esteve presente no rock. Sendo essa por sua vez presente em algumas gerações desses mesmos artistas, em maior intensidade do que em outras.


A década de 70 foi um período bastante fértil na formação dos pilares do que, posteriormente, ficaria conhecido como glam rock. O pesquisador Paul Friedlander em sua obra “Rock and Roll: Uma História Social” explica que esta se tornou uma época rica em contradições cujos ecos repercutiram, sobre tudo, no cenário do rock – mola propulsora dos rearranjos sociais e morais do mundo de então. “Por um lado, houve a institucionalização da moda da contracultura, da aparência, da experiência com drogas e da linguagem. Por outro, haviam os esforços do governo (americano) e do show business para reverter a recente abertura e expressividade política e cultural da época”, destaca.

Na crista da onda, bandas como The Stooges e New York Dolls já instigavam seu público com o visual andrógino de seus integrantes na virada dos 60’s para os 70’s. 

Iggy Pop & The Stooges- TVEye 1970 (Cininnati Pop Festival)

New York Dolls - Personality Crisis live at Musik Laden 1973


A origem para a busca desse quase hermafroditismo, porta de entrada para as maquiagens e roupas extravagantes, estava na frustrada liberação sexual da contracultura hippie na geração anterior, nas já presentes discussões pela igualdade de direitos entre os gêneros através da militância feminista, e, por que não, na necessidade de se criar algo novo no showbiz de então, já saturado pela onda do “flower power” – sim, leitor, seja grato a Yoko Ono ao menos por isso. Conquanto, o grande divisor de águas nesse quesito foi o já citado David Bowie que, em 1972, levou toda a ideia da encenação ao extremo da qualidade com o seu "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars", álbum conceitual que narrava as desventuras do seu alterego andrógino Ziggy Stardust, trabalhando sob o imaginário popular diante da então chegada do homem a lua.


"The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars" de David Bowie

Cabe destacar aqui que toda essa verdadeira revolução, tal como o próprio rock’n roll, só foi possível graças a um fator determinante: a inserção da mulher no mercado de trabalho. Isso mesmo! Embora ainda haja quem veja o rock como um clube do Bolinha, o gênero seria inviável caso não tivesse despertado o interesse feminino. Ou você que nos lê acha mesmo que os Beatles vestiam-se como mórmons-que-batem-a-sua-porta-no-fim-de-semana e usavam ‘penteado de cuia’ por simples zelo de suas mães?

Outro detalhe crucial, fora a influência dos trabalhos de Coco Chanel no campo estilístico dos anos 20 e a fusão entre moda e música, da qual o maior exemplo talvez tenham sido os Sex Pistols, foi o subgênero que mais bem soube assimilar esse tema e fazer-se campo fértil: o Metal.

Muito embora o Black Sabbath já tivesse um quê de mistério ao abordar o oculto em suas canções, foi graças ao subgênero do glam metal (também conhecido como hair metal ou slaze metal) que cabelos longos, guarda-roupa colorido e atuações extravagantes continuaram a definir o rock pelo mundo. Bandas como Bon Jovi, Stryper, Europe, Poison,Twisted Sister, Guardian, Cinderella, Warrant, Skid Row, Holy Soldier, Van Halen e Mötley Crüe acabaram ditando o comportamento dos Anos 80. Muito embora quase todas essas não tenham conseguido sobrevida na década seguinte.




Sendo culpa ou não do grunge e britpop dos 90’s, o mainstream viu o gosto por shows-atuações no palco minguarem pra renascerem nos dias de hoje – a exceção da Finlândia que cabe uma abordagem mais a fundo num texto futuro. A irônica simbiose entre Metal e pop no resgate a essa (ao mesmo tempo nova e velha) forma de se encarar os holofotes nos fez presenciar artistas tão díspares como Lady Gaga, Slipknot e Ghost B.C trazerem um novo impulso à cena musical, seja na excentricidade de seus fãs ou fidelidade desses com a carreira de seus ídolos. Provando que Velhos Livros contém as novidades de sempre: “não existe nada de novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1:9).

Fontes:
Fonte das Imagens: Imagens Obtidas através de pesquisas na internet. Todos os direitos sobre elas reservados aos seus respectivos autores.


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