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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Muito Além... Do Que os Olhos Podem Ver [Ensaio Sobre a Cegueira - José Saramago]

O ser humano em seu melhor, mas também a sua face mais obscura. São estes os elementos que vemos em "Ensaio Sobre a Cegueira". O Muito Além das Aspas veio te mostrar muito mais do que os olhos podem ver desta obra magnifica de José Saramago.




Na segunda leitura em conjunto de um grupo do whatsapp ao qual pertenço, concordamos em nos aventurar nessa perturbadora narração de como seria o futuro da humanidade, se de repente todos ficassem os cegos.

Ensaio sobre a Cegueira é um romance do escritor português José Saramago, publicado em 1995 e traduzido para diversas línguas. A obra se tornou uma das mais famosas de seu autor, juntamente com Todos os nomes, Memorial do Convento e O Evangelho segundo Jesus Cristo.

Nesta obra, Saramago utiliza o tipo de escrita pelo qual ficou conhecido mundialmente. Este tipo de escrita pauta-se por uma descrição fluida, onde o discurso direto se mistura com o indireto, sendo normal a ausência de recursos típicos do discurso direto (parágrafo, travessão, aspas), apresentando o discurso direto entre vírgulas e começando por maiúsculas, para o leitor fazer a distinção entre este e o restante tipo de discurso. Este tipo de escrita foi desenvolvido ao longo dos livros que Saramago escreveu e é uma das suas (senão a maior) características inconfundíveis

O Autor

José de Sousa Saramago foi um escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português. Foi premiado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da língua portuguesa. Saramago é considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. Nasceu na província do Ribatejo. Saramago, conhecido pelo seu ateísmo e iberismo, foi membro do Partido Comunista Português e  diretor do Diário de Notícias. Juntamente com Luiz Francisco Rebello, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). 

O Livro


Titulo: Ensaio Sobre a Cegueira
Autor: José Saramago
Edição: 1º (312 paginas)
Editora: Compania das Letras
ISBN-13: 978857164495-3

Sinopse: Ensaio Sobre a Cegueira - Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma "treva branca" que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas.

O "Ensaio sobre a cegueira" é a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam". José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio, impondo-se à companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti. Cada leitor viverá uma experiência imaginativa única. Num ponto onde se cruzam literatura e sabedoria, José Saramago nos obriga a parar, fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu: "uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos".


E pra mim, como foi ler "Ensaio Sobre a Cegueira"?

Essa foi minha primeira experiência com esse formato de escrita, um ensaio. Confesso que fiquei um pouco confuso no início, pois narrativa, diálogos, ações e pensamentos estão presentes em um único parágrafo gigantesco. Mas, com o tempo, além de me habituar bem ao estilo, consegui sentir com mais profundidade os fatos que ali ocorriam.

A narração vem da única que ainda enxerga, ainda não se sabe o porque, que por vontade própria finge estar cega para acompanhar seu marido, médico oftalmologista infectado com a cegueira branca. Após um surto do que chamaram de "cegueira branca", todos os infectados foram levados a um prédio para que ficassem em quarentena, primeiramente para encontrar respostas. Porém, a situação fica fora de controle com o passar do tempo.

As situações pelas quais essas pessoas passam me levou a pensar o que o medo é capaz de fazer em um indivíduo, ou ate mesmo uma comunidade. O medo por não saber o que esta causando esta cegueira, a discriminação, o receio do contagio são pontos marcantes deste livro. Mas o comportamento humano, apos certa adaptação a nova realidade torna esta obra de Saramago algo que vale a pena apreciar.

Quero destacar a cena em que, após o local onde eles estão cumprindo a quarentena fica superlotado, e um grupo de pessoas querem dominar a distribuição de comida. As atrocidades cometidas por parte dos cegos degenerados chegaram a dar ânsia e ódio de pensar que isso realmente aconteceria. 

Desta forma, o autor nos leva a pensar, quem somos realmente? Somos quem mostramos ser? Ou somos apenas máscaras adaptadas para nos encaixarmos na sociedade? E se essa sociedade vier a ruir, sua moralidade e honra caem com ela?

Uma frase que me marcou muito foi a dita pela esposa do médico:

[...] vocês não sabem, não podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos [...]

Uma citação muito atual, pois estamos a viver tempos difíceis, mas há quem não acredite/não quer acreditar nos problemas que nossa sociedade enfrenta. Pois esta citação se atrela a um ditado popular: pior cego é aquele que não quer ver.


Adaptação para as Telonas

Título original: Blindness   
Distribuidor: FOX Filmes
Ano de produção: 2008 
Sinopse: Uma inédita e inexplicável epidemia de cegueira atinge uma cidade. Chamada de "cegueira branca", já que as pessoas atingidas apenas passam a ver uma superfície leitosa, a doença surge inicialmente em um homem no trânsito e, pouco a pouco, se espalha pelo país. À medida que os afetados são colocados em quarentena e os serviços oferecidos pelo Estado começam a falhar as pessoas passam a lutar por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. Nesta situação a única pessoa que ainda consegue enxergar é a mulher de um médico (Julianne Moore), que juntamente com um grupo de internos tenta encontrar a humanidade perdida.




Trailer



Curiosidades

Foi o filme de abertura do Festival de Cannes 2008.

Durante o processo de preparação para o filme, atores, figurantes e toda a equipe sentiram o que era viver como um deficiente visual. Eles foram vendados , levados de carro para um local desconhecido e deixados na rua. Sempre havia alguém da produção para ajudar os "cegos",mas ainda assim, o diretor afirmou que alguém sempre entrava em colapso.


Mas e ai, vale a pena?

São 412 paginas de uma obra impar, que merece ser lida com todo cuidado e concentração. Saramago realmente tem o dom de nos tirar da zona de conforto e nos fazer pensar nas nossas atitudes e dos que nos cercam.

Com relação ao filme, todos sabemos que fica impossível querer comparar a qualidade de uma trama a pé de igualdade com seus respectivos livros. Então como filme, o considero como bom, mas como regular como adaptação, pois foi um pouco acelerado certos pontos, e deixou de focar na reflexão do estado da cegueira, que para mim, foi o ápice do livro.


E é isso ai! Se você gostou, não deixe de curtir e compartilhar com seus amigos!!! Comentem a vontade também, até a próxima pessoal!



Fontes https://www.skoob.com.br/autor/3-jose-saramago
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ensaio_sobre_a_Cegueira
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Saramago
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-119191/curiosidades/

Fontes de Imagem: Imagens Obtidas através de pesquisa no Google, com seus direitos reservados ao seus autores.

2 comentários:

  1. Obra muito impactante, seja nos relatos bons ou ruins... Trata de alguns temas simples outros nem tanto, mas todos de suma importância dentro de nossa sociedade. Me fez refletir sobre ética, justiça, amor, dignidade, moral. Obra indispensável em qualquer lista de leitor, independente da preferência de gênero, recomendo.

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    1. Obrigado por compartilhar sua opinião Renata

      Volte sempre que quiser

      Equipe Muito Além das Aspas

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